sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Tempo

Muitos relacionamentos chegam em um momento chave, onde há geralmente dois caminhos a seguir. Ou ficam juntos, mas sem aquela mesma paixão, aquela admiração mútua que existia no início do relacionamento, antes de conhecerem os defeitos um do outro, sujeitos a brigas e mais brigas, até que reentendam. Ou então decidem acabar, mesmo ainda existindo amor. E esse rompimento é muito dolorido.

Existe também uma terceira via, que é um meio termo, mas que geralmente antecede o segundo caminho: dar um tempo. O que significa dar um tempo? Significa afastar-se, evitar se ver, evitar falar sobre, evitar contato, mesmo a distância. Às vezes esse afastamento ajuda a curar feridas, ajuda a amadurecer e compreender mais um ao outro.

Por isso decidi que é hora de dar um tempo, Flamengo. Antes que nos machuquemos mais. Não dá pra seguir assim, por mais amor que exista entre nós. Quero que tenhamos muitos anos juntos ainda, por isso mesmo estou me afastando. Para não cobrar além do que você está preparado ou maduro para dar. Para não ser injusta. Para não sofrer esperando mais do que é possível você oferecer hoje.

Nos encontraremos ano que vem, com a esperança de haver mais maturidade, maior disposição a entender um ao outro, maior possibilidade de juntos comemorarmos conquistas de verdade.

Te amo muito. Sempre te amarei. Até morrer.

"O tempo não só cura, mas também reconcilia." Victor Hugo (O outro)

terça-feira, 27 de junho de 2017

E se o Flamengo cumprisse a Lei da Meia Entrada?

Não tem como passar batido pelo tema do preço dos ingressos. A percepção é de que o preço está abusivamente alto, incompatível com o que se deve pagar para assistir um jogo em um estádio temporário, distante da maior parte dos torcedores e que tem dificuldades de acesso. E ainda por cima aguentar Márcio Araújo em campo!

O resultado é que temos um estádio de cerca de 20 mil pessoas não enche. Um Flamengo não enche um estádio para 20 mil! E nem tem como encher, dessa forma. Veja a tabela de preço dos ingressos para o jogo contra o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro:
Setor Norte
Público Geral - R$ 200 (meia R$ 100)
Sócios Tradição - R$ 150 (meia R$ 75)
Sócios Demais Planos - R$ 100 (meia R$ 50) 
Setores Sul e Leste
Público Geral - R$ 280 (meia R$ 140)
Sócios Tradição - R$ 210 (meia R$ 105)
Sócios Demais Planos - R$ 140 (meia R$ 70) 
Setor Oeste
Público Geral - R$ 360 (meia R$ 180)
Sócio Tradição - R$ 270 (meia R$ 135)
Sócio Demais Planos - R$ 180 (meia R$ 90) 
Visitantes
R$ 200 (meia R$ 100)
A diretoria afirma que o preço é alto por conta das meias e gratuidades. Que na verdade, esses preços são fictícios. E é a mais plena verdade. No jogo contra a Chapecoense, por exemplo, somente 1% dos torcedores pagou o preço cheio, segundo o Borderô. Um porcento! Mas aí entra a questão da percepção. Entre o valor real e o valor divulgado há uma diferença absurda. E que poderia ser alterada caso o Flamengo fizesse valer a lei da meia entrada, que limita a apenas 40% dos ingressos.

Juntando dinheiro para comprar meu ingresso na Ilha do Urubu
Hoje, supondo o pior caso, que seria a que todos os compradores pagassem meia entrada e que todos fossem Sócios Torcedores (exceto visitantes, logicamente), caso o Flamengo vendesse todos os ingressos arrecadaria R$ 1.123.606,00. Veja o cálculo:

Setor Lugares Preço da meia pra ST Total
Oeste 4990 R$ 90 R$ 449.100,00
Visitantes 2001 R$ 100 R$ 200.100,00
Norte 2914 (1500 gratuidades) R$ 50 R$ 145.700,00
Sul 2121 R$ 70 R$ 148.470,00
Leste 6437 R$ 70 R$ 180.236,00

Total geral: R$ 1.123.606,00
Tíquete médio: R$ 60,85

Agora vou fazer o seguinte cálculo: E se o Flamengo cobrasse 50% dessa mesma tabela de valores, porém limitando a meia a 40% para cada setor? Quer dizer, o Flamengo botaria a venda, mas quando acabar, acabou, mesmo tendo carteirinha, não seria mais possível comprar meia. Entendido?

Também vou considerar a mesma pior hipótese, que seria que os ingressos fossem comprados totalmente dos sócios torcedores e descontando as 1500 gratuidades do setor norte. Também aumentei o valor do ingresso para visitantes, porque por princípio eles nunca devem pagar menos ou igual a um torcedor do Flamengo, sócio ou não.

Setor Lugares Inteira Preço da inteira pra ST Total
Oeste 2994 R$ 90 R$ 269.460,00
Visitantes 1201 R$ 120 R$ 144.120,00
Norte 1148 R$ 50 R$ 57.400,00
Sul 1273 R$ 70 R$ 89.082,00
Leste 3862 R$ 70 R$ 270.354,00

Setor Lugares Meia Preço da meia pra ST Total
Oeste 1996 R$ 45 R$ 89.820,00
Visitantes 800 R$ 60 R$ 48.000,00
Norte 1766 R$ 25 R$ 29.140,00
Sul 848 R$ 35 R$ 29.694,00
Leste 2575 R$ 35 R$ 90.118,00

Total geral: R$ R$ 1.117.164,00
Tíquete médio: R$ 60,51

Perceba: O preço mais caro que um Sócio Torcedor pagará de ingresso será de R$ 90, não mais de R$ 180. O preço mais barato que um sócio torcedor vai pagar será de R$ 25, não mais R$ 50. E perceba que o tíquete médio permanecerá praticamente o mesmo.

A percepção geral é de preço será muito mais barato. O torcedor se motivará a ir ao estádio. E mesmo pagando o valor inteiro ele não se sentirá prejudicado, já que estará pagando o mesmo valor da meia do ingresso mais caro. Tudo questão de matemática.

Vamos às perguntas:

Dá para fazer isso sem gerar fila na entrada para conferir a carteirinha? Dá, existe tecnologia para isso. Minha sugestão: usar o próprio cadastro do ST para armazenar as informações de carteira de estudante. O ST poderia fazer tirar uma foto do QRCode e o sistema validaria junto as entidades responsáveis (veja a imagem no final do post). Uma vez validada, o torcedor estaria apto para comprar um dos ingressos disponíveis para meia. Quando a carteira perdesse a validade, o torcedor teria que submeter o QRCode da nova carteirinha.

Implementar essa solução será rápido e barato? Depende da empresa que desenvolve o sistema, mas é provável que não. Mesmo assim, o custo será muito menor e será muito mais confortável para o torcedor do que fazer a conferência na entrada a cada jogo. A diretoria tem capacidade de fazer esse cálculo de custo melhor do que eu. Mas sempre a opção informatizada sai mais barata no longo prazo que a manual.

E para quem não é Sócio Torcedor? Para quem não é, provavelmente seria muito complicado conseguir comprar uma meia entrada. Infelizmente, não dá para agradar a todos. Porém, seguindo a mesma lógica, o ingresso mais caro para ele passaria a ser a metade do valor, ou seja, R$ 180 na Oeste. E o mais barato seria R$ 100 na Norte. O mesmo preço que ele paga na meia hoje.

Mudanças precisam ser feitas. Vejo muita gente reclamando de preço, torcedores, jornalistas, mas não vejo propostas, só reclamação. Eis aqui uma proposta concreta. Se irão adotar essa ou alguma outra solução é questão de opção do clube. Não pode é se acomodar e achar que é assim e pronto.

Como já falei uma vez no Twitter, vejo a Ilha do Urubu como uma startup. Ela foi feita para experimentar, errar, acertar, aprender, pivotar quando necessário. Agora é bem mais fácil que no dia que tiver um estádio próprio. E tendo um know how e uma estrutura já pronta, ficará muito mais fácil e mais barato gerenciar nossa própria casa no futuro.

PS: Pesquisando, vi que o novo modelo de carteirinhas de estudante possui um QRCode para facilitar a validação. Ela seria bem simples: o usuário tiraria uma foto do QRCode (usando o aplicativo de Sócio Torcedor para celular, por exemplo), que converteria em um link. Esse link seria enviado para um validador da emissora da carteirinha, que retornaria os dados e a validade da carteirinha. O nosso sistema bateria os dados da carteira com o cadastrado na nossa base de dados e pronto. Estaria checado se é ou não estudante. Esse link possui mais detalhes.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

É hora de profissionalizar definitivamente o futebol

Nos últimos anos o Flamengo sofreu um choque de gestão que foi capaz de mudar totalmente a cara do clube. Depois de anos de gestões desastrosas, um grupo de torcedores se associaram e se reuniram para consertar o Flamengo. Empresários, executivos, funcionários públicos, autônomos. Pessoas que se doaram ao clube com um trabalho sério e com muito amor.

Durante esse período o Flamengo foi de exemplo de bagunça para modelo de gestão a ser copiado. Muitos setores sofreram uma mudança para melhor, com contratações de profissionais de qualidade que ajudam a fazer a roda girar no dia a dia. Mas ainda existe a figura do VP, que é composta na maior parte dos casos por gente com grande conhecimento na área que administra. Por exemplo: o VP de comunicação tem renomada experiência com comunicação. O VP jurídico possui experiência na área juridica. O VP de Esportes Olímpicos idem. E por aí vai.

Mas e no futebol? No coração do clube, quem fica à frente? Haveria alguém que poderia se dedicar ao comando da pasta de maior cobrança no clube, tendo experiência e conhecimento comprovados de futebol para poder conversar de igual para igual com o diretor de futebol, com empresários, jogadores, outros dirigentes, etc? Que tenha ao mesmo tempo visão gerencial, vendo a interligação do futebol com as outras pastas? Que seja honesto, acima de tudo? Que tenha frieza e deixe o emocional de lado nos momentos de crise, sem tomar medidas pensando no resultado da próxima eleição? Que se dedique quase que exclusivamente a isso, porque o cargo exige isso, e ainda não receba um centavo por isso?

Nesses últimos anos o cargo de VP de futebol é o mais problemático de todos, sem a menor dúvida. Já passaram vários nomes pela pasta, com inclusive um recentemente preso, para nossa vergonha. Várias vezes o presidente assumiu interinamente o posto, sem sucesso, obviamente. Já foi tentado ter um Comitê Gestor, que é a pior solução do mundo. Pior que um amador dando pitado é ter um grupo de amadores dando pitaco. Basta! É hora de acabar com o cargo de VP de futebol. Retirar inclusive do estatuto. É hora de esquecer as vaidades, a sensação de poder que o cargo possui e abdicar de sua existência. É hora de profissionalizar o futebol de ponta a ponta.

Hoje temos uma figura de CEO, ocupada por Fred Luz. Dizem que ele faz papel de VP de futebol, mas que conhecimento ele possui do negócio? Qual exatamente o papel que um CEO possui hoje no Flamengo? Isso não está claro para ninguém.

Minha proposta é:
Os grupos políticos do Flamengo (especialmente o SóFla, do qual faço parte) poderiam lançar a proposta de alteração estatutária eliminando o papel de VP de futebol. Simultaneamente, incluir a figura obrigatória de um CEO que seria um profissional contratado para gerir o futebol. Ele estaria no mesmo nível dos demais VPs hierarquicamente e se reportaria apenas ao Presidente do clube quando necessário. Não sofreria nenhuma interferência de comitê ou VP de outras pastas. Ele teria total autonomia de decisões, sujeitas a limitações orçamentárias. Estabeleceria metas para seus subordinados e as cobraria.

Para isso, é preciso abdicar das vaidades. Ser VP de futebol hoje é cobiçado apenas por quem interesses políticos e quer visibilidade. A partir do momento que o comando ficasse com um profissional, que pensasse apenas no futebol, independente de eleição, de quem é o presidente, a coisa mudaria totalmente de patamar. Um CEO com experiência em futebol e gestão seria o casamento perfeito. Seria a mudança final que faltava no clube para a profissionalização total. E seria mais um legado a deixar para o Flamengo.

Se hoje é preciso ter uma mudança no futebol não é começando de baixo. Será apenas um paliativo. O xis da questão está em cima. É essa que precisa mudar.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Por onde anda o Geraldino?

2017 e voltamos ao clamor de jornalistas por geraldinos. De novo. Toda vida que vejo o assunto vir a tona, passa um monte de coisas na minha cabeça. Vou compartilhar algumas delas aqui, refletir sobre o assunto.

Antes de mais nada, que tal tentar entender o que é Geraldino? Geraldino era como a imprensa chamava popularmente os torcedores que ficavam nas famosas gerais do Maracanã, que existiram até meados da década de 90. Lá era onde as castas mais pobres da sociedade na época assistiam o jogo de futebol em pé, espremidos pela superlotação, alguns à beira de um fosso de mais de 3 metros de profundidade que os separava do campo  praticamente sem visão do jogo, sujeito a levar banhos de saco de xixi arremessados por quem estava na arquibancada, os Arquibaldos, de poder aquisitivo maior. Quem batizou-os com este nome? Nelson Rodrigues, há muito, muito tempo atrás, quando já enxergava o grande desequilíbrio social da época refletido no Maior do Mundo.

Que saudade de ficar assim, né? Só que não.

Em 1995, assim como neste ano, houve uma decisão de carioca entre FlaxFlu (não era final, mas valia o título). Neste jogo a geral esteve aberta, um dos últimos grandes jogos com a sua existência. 22 anos depois, um saudosismo romantizado clama pela volta dos Geraldinos. Mas aonde estão eles? Ainda existem?

Muita coisa mudou em 22 anos. O Brasil mudou muito em termos de desigualdade social, com uma vasta camada de miseráveis subindo de classe social. Vou citar alguns dados para demonstrar essa mudança:

- Em 1995 a renda per capita era equivalente a 3.680 dólares. Em 2015 é de 9.990. Praticamente triplicou.
- A expectativa de vida em 95 era de 67,6 anos. Em 2015 de 74,6.
- Em média as mulheres tinham 2,5 filhos em 1995. 2016 tem 1,8.
- Em 1995, no Índice de Gini (que mede a desigualdade) o valor era de 59,6. Hoje é de 51,5. Ainda alto, mas já foi bem pior.
- Em 1995 chegava a internet no Brasil. Poucos possuíam telefone fixo. Praticamente ninguém tinha celular. TV a Cabo? Só quem era rico. Hoje praticamente todos possuem banda larga. Telefone fixo? Só quem quer, porque temos uma média de mais de um número de celular por pessoa. Não conseguimos mais viver sem internet, nem por um dia sequer. E 18,6 milhões de casas possuem acesso a TV paga (oficialmente, porque suponho que seja bem mais).

Mais uma informação: em 1995 aquele Fla x Flu teve 109.204 pagantes, com renda de R$ 1.621.850,00. Ou seja, o ticket médio foi de R$ 14,85. Este valor corrigido pelo IPCA nos dias atuais equivale a R$ 64,90. O FlaxFlu realizado domingo passado teve tíquete médio de R$ 55,51 (renda de R$ 3.242.130 e 58.399 pagantes). Pasmem: em valores atualizados foi mais barato assistir o gol do Rodinei que o de Renato Gaúcho.

Outro fator que é ignorado pelos jornalistas é o fato de que o Maracanã mudou. Em 1995 ele era sustentado pelo Governo. Ou seja, todo o povo carioca sustentava o gigantesco estádio. Subsidiava-o. Depois da malfadada reforma para a Copa do Mundo, o "Maracanã on Steroids" não poderia mais ser bancado pelo governo, que passou a bola para a iniciativa privada. Ao ser privatizado, sem ter quem o subsidiasse (e com as maracutaias que depois ficamos sabendo), os custos foram repassados para os clubes. E hoje este custo está maior do nunca, com clubes tendo que pagar valores astronômicos para pisar em tal solo (extremamente mal conservado) sagrado. Se baixar o preço do ingresso a conta vai fechar? Me explique como, por favor, com prova dos nove fora como na 6ª série.

Concordo que o ingresso poderia ser mais barato se os custos também fossem, mas não acredito que haveria mudança significativa no perfil da torcida se diminuísse 10, 15 reais no valor do ticket médio. Mesmo que tirassem as cadeiras atrás do gol (que eu também gostaria de ver acontecer), não creio que mudasse muito o perfil do torcedor que vai para o estádio hoje. A coisa vai muito além disso.

A questão é que o Brasil mudou muito em 22 anos. As classes sociais mudaram. A miséria diminuiu, mesmo que nos últimos dois anos as coisas tenham piorado. A nova geração tem mais acesso ao estudo, a ascensão social, a tecnologia. Se há 22 anos o futebol era uma das únicas formas democráticas de entretenimento para os mais pobres, hoje ele concorre com outros tipos de entretenimento: o lançamento em 3D e Imax no cinema, a TV a cabo mostrando o que há de melhor no futebol europeu, os videos na internet, o Netflix. Ele quer qualidade, quer conforto e não vai aceitar ser tratado como gado, como no passado. E se for tratado, vai abrir a boca e reclamar nas redes sociais, com razão.

O Geraldino não vai mais voltar. Nem mesmo que tirem todas as cadeiras do Maracanã e botem ingressos a 5 reais. O mundo mudou, o futebol mudou, as pessoas mudaram. Essa que é a verdade. É melhor se conformar e aceitar que o Geraldino está extinto.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Porque pedir a cabeça de Zé Ricardo é uma estupidez hoje?

Me responda sinceramente: imagina um clube paulista com um técnico jovem, ainda sem um ano completo de experiência no ambiente profissional, mas que tivesse no currículo apenas duas derrotas em jogos oficiais desde 21 de agosto do ano passado para cá: uma para o Internacional, em outubro e outra em março, fora de casa contra o Universidad Católica do Chile, em um jogo onde o time teve o azar de não conseguir transformar em gols o seu domínio. O que a imprensa estaria falando sobre ele? O que VOCÊ acharia dele?

Agora, veja você, esse técnico está no Flamengo. Para azar o dele, quem sabe? Mas o fato é que ele está aqui, em meio a essa coisa louca chamada Flamengo. Onde um desempenho desses é ignorado, onde a mesma torcida que por muito tempo dizia ignorar o carioca hoje pede sua cabeça por conta dele. Esse mesmo campeonato que estamos jogando apenas pelo dinheiro e que está sendo usado como laboratório para várias experiências com reservas, recém promovidos e renegados. Lembra quando foi a última vez que jogamos com o time completo, titular? Faz um tempinho. E ainda assim, com todos esses testes e mudanças ainda estamos invictos. Invictos na porcaria do carioca.

"Ah, mas o time não tá jogando bem. Eu quero que jogue igual o Barcelona!". Quem tá jogando muito bem nesse início de ano? Quem está com o time na ponta dos cascos, dando show em campo? Que técnico hoje no Brasil tem desempenho melhor, consegue fazer seu time jogar melhor sempre? Se eu tô satisfeita com o que vejo? Não, acho que pode melhorar. Acho que temos que ter variação tática, que alguns jogadores podem dar mais (mas também entendo não querer dar muito por algo que não vale nada). Eu confio que esse time ao longo do ano vai encaixar e vai crescer. Basta deixar trabalharem em paz.

Estadual não é critério pra nada. Nem para elogiar nem para criticar. É só ver o que aconteceu com os últimos campeões estaduais. A bela campanha que fazem no brasileiro, salvo uma ou outra exceção. Se a diretoria entrar na pilha da torcida e demitir o Zé Ricardo, que vem fazendo um bom trabalho, vai se arrepender muito depois. Já vimos muitas vezes no que dá esse troca-troca de técnico. E pode deixar cair no colo de um adversário um pedra ainda em estado bruto, mas que está pronta para ser lapidada.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Análise da tabela do Brasileiro de 2017

Ano passado fiz um post sobre as expectativas para o Brasileiro de 2016. Nele calculei a probabilidade de pontos de acordo com o aproveitamento dos últimos 5 anos. Repito a dose para este ano, com uma pequena alteração: Ao invés de pegar os últimos 5 anos, peguei os dados desde 2010, ou seja, os últimos 7 anos (7... sentiu o cheirinho?).

O cálculo é bastante simples. Vejamos o exemplo do confronto contra o Atlético Mineiro, nosso primeiro do campeonato. Foram 7 jogos em casa, onde tivemos 5 vitórias, 1 empate e 1 derrota, totalizando 16 pontos conquistados de 21 possíveis. Ou seja, obtemos em média nesse confronto 2,28 pontos. Essa conta foi feita para cada um dos confrontos, considerando sempre o mando da partida, não o local.

Considerei, arbitrariamente, que cada confronto com menos de 1 ponto de média indica tendência de derrota, simbolizada pela cor vermelha. Cada um que possui entre 1 e menos 2 pontos em média tem tendência a empate, representada pela cor branca. E cada um que possui uma média de 2 ou mais pontos aponta tendência a vitória, usando a cor verde. Eis a tabela:


Algumas conclusões que podemos tirar dela:

1) O primeiro turno tende a ser mais difícil do que o segundo. Temos muitos jogos com retrospecto de empate, que é uma perda preciosa de pontos. Serão especialmente críticas as rodadas 11 a 19, onde não há nenhuma com retrospecto favorável para nós. Nesse período teremos 4 jogos em casa e 5 fora, incluindo dois adversários que (sinto dizer) somos fregueses nos últimos anos: Corinthians fora e Palmeiras em casa.


2) Falando em freguesia, vamos começar com um de nossos maiores fregueses nos últimos 7 anos em casa: O Atlético MG. Dentre os 12 maiores clubes é o confronto em que temos o melhor retrospecto, seguido pelo Cruzeiro também em casa. São dois jogos em que você pode comprar o ingresso já esperando a comemoração no final da partida. Uma ótima forma de começar o campeonato.


3) Somando toda a pontuação média ao longo do campeonato obtivemos um total de 52,4 pontos. É pouco, muito pouco. Isso é porque tivemos nesses 7 anos mais campanhas pífias que louváveis. Para ter uma ideia, nesse período conquistamos em média 53,1 pontos no campeonato, média superada apenas em 2011 e 2016, quando fizemos 61 e 71 pontos, respectivamente.


Ano passado o que fez a diferença no campeonato foram as vitórias em confrontos em que costumeiramente empatávamos: ganhamos 10 de 18 desse tipo. Neste ano temos 17 confrontos com tendência ao empate, sendo 11 deles em casa (Botafogo, Ponte Preta, São Paulo, Grêmio, Coritiba, Atlético PR, Fluminense, Bahia, Vasco, Corinthians, Santos). Se houver a mesma sintonia este ano no Estádio da Lusa quanto teve em Cariacica ano passado, dá para ganharmos pontos importantíssimos na disputa pelo título.

Esse análise baseada em retrospecto logicamente está sujeita a falhas. Mas ajuda a dar uma visão se o time está acima, em média ou abaixo do esperado. Dê uma olhada no gráfico comparativo do esperado x o realizado de 2016 e veremos exatamente quando começamos a nos superar: exatamente na rodada 16, bem antes da estreia do Diego (21ª). E também quando caímos de produção, que foi a partir da 30ª rodada, no jogo contra o Fluminense.


Se você quiser ter uma cópia da tabela e ficar acompanhando a pontuação rodada a rodada, é só baixar uma cópia da planilha. Divirta-se! ;)


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

2017, o ano da colheita


2016 acabou. Ainda restam umas folhas no calendário, temos alguns jogos a disputar, mas para o Flamengo já é o momento de olhar para 2017. É um olhar ao mesmo tempo de ansiedade e expectativa. Pois está se aproximando o momento da colheita.

Passamos 2013, 2014, 2015 e 2016 plantando. Foram muitos esforços, sacrifício, suor escorrendo das testas de quem está no dia a dia do clube, seja como cargo remunerado ou como colaborador. O Flamengo mudou para melhor com a ajuda de muitas mãos. E cada uma teve sua devida importância.

Terminaremos 2016 com as contas equalizadas. Ou seja, o que ganhamos em um ano poderia pagar toda a nossa dívida. Uma relação de aproximadamente um para um. Com isso, as dívidas estão controladas e poderemos começar a usar esse recurso que ia para pagar dívidas para alimentar o próprio Flamengo.

Em dezembro o CT será entregue e isso deve ser motivo de muito orgulho para todos nós. Finalmente teremos nosso Centro de Treinamento, feito com ajuda de tijolinhos, pulseirinhas, doações, patrocínios, permutas e muito sacrifício financeiro. Estrutura hoje é essencial no futebol. Hoje podemos dizer que temos um CT de alta qualidade, um dos melhores do Brasil, senão O MELHOR, com tecnologia de ponta. No Mundo Rubro Negro você pode ver uma matéria especial sobre como está o andamento da obra e como vai ficar.


Contratamos bons jogadores. A qualidade do time aumentou muito com relação aos últimos anos. Depois de sei lá quanto tempo pudemos brigar pelo título de igual pra igual. Não deu desta vez. Pesou muito o sacrifício das viagens durante o ano, fez muita falta ter uma casa. Foi difícil para a torcida e principalmente para os jogadores e comissão técnica. Fica o gostinho de frustração no final, mas eles fizeram o que era possível nas condições apresentadas. Ao fim, temos o melhor aproveitamento desde o início dos pontos corridos.

Então analisemos. Em 2017 teremos então a seguinte combinação: Contas equalizadas + CT de ponta + uma espinha dorsal do time. É muito mais do que tivemos nos últimos 20 anos, pelo menos. Claro que há espaço para melhorar, principalmente com relação ao planejamento. As coisas em 2016 aconteceram meio ao acaso. Continuamos fazendo nossas principais contratações no meio do ano. E a falta de definição de uma casa foi o mais evidente dos erros.

O que eu gostaria de ver o Flamengo fazer a partir de agora, visando um 2017 propício para a colher os frutos de tanto trabalho?


1) Eliminar os elos fracos. Precisamos contratar pontualmente para posições específicas. Não precisaremos trocar meio time como em outros anos. Como serão menos contratações, podemos então prezar pela qualidade. As prioridades número zero e um são primeiro volante e pontas. Já que este é o esquema adotado, então que tenhamos as melhores peças disponíveis no elenco. E emprestar, vender, ceder, não renova com os que não estão aptos para vestir a camisa do Flamengo.

2) Priorizar o título Brasileiro. Temos que ter começar o ano com este foco: Vamos ser campeões brasileiros. E pelo menos no primeiro semestre, a Libertadores deve ter prioridade sobre qualquer outra coisa. Especialmente sobre o carioca, que não serve para nada já há alguns anos.


3) Ter uma casa no Rio de Janeiro. Não importa se no Maracanã, se em um estadio provisório, se fruto de algum acordo. O Flamengo tem que jogar no Rio. Nem torcida nem os jogadores suportarão passar novamente pelo que passou este ano. Seria um erro estratégico e desumano pensar que pode fazer isso de novo. Não, não pode. Programem-se desde já, negociem desde já, busquem uma alternativa viável desde já se não vamos aceitar a pressão de jogar no Maracanã com terceiros administrando. O Botafogo, que tem muito menos poder de fogo (perdão pelo trocadilho) que nós conseguiu viabilizar uma casa temporária. Porque não podemos? Um ou outro jogo poderia ser jogado estrategicamente no Pacaembu, para aumentar nossa influência na terra da garoa. Ou em Cariacica, onde o time gosta de jogar. Mas seriam a exceção, não a regra.

4) Começar a usar mais a base. Não, não tô pedindo pra nenhum garoto ser titular. Não quero que queimem etapas, nem que joguem-nos aos leões. Mas eles precisam ganhar experiência. Tem que jogar, nem que seja uns poucos minutos no segundo tempo de vez em quando. Precisamos estabelecer metas para uso dos garotos pelo treinador, com direito a um gordo bônus se ele alcançar. Já é hora de começar a ver os meninos do Ninho entrando em campo, aos pouquinhos.


5) Manter o Zé. É preciso dar continuidade ao trabalho. Zé Ricardo, até o momento, é o treinador com melhor campanha no Flamengo desde os pontos corridos. Ganhamos vários jogos que costumávamos perder. Ele ainda não está 100% pronto, falta mais experiência. Mas isso ele só consegue com o tempo. Precisamos acabar com a história de trocar um técnico sempre que tem 2, 3 resultados ruins. Quero ver o Flamengo bancando o Zé e investindo em sua formação. Porém desejo também ver ao seu lado pessoas também jovens e com a cabeça aberta para as novidades do futebol, com ânsia de estudar e aprender.

A torcida já espera há muito tempo, pacientemente. Mas não há mais espaço para muitos erros. Ela está com uma sede imensa de títulos e não vai se conformar de passar mais um ano sem ganhar nada, sem disputar pra valer os títulos, em ver jogadores achando bom ser eliminados. Precisamos de um título nacional para coroar a boa administração dos últimos anos. Para que a festa da colheita comece. Condições para isso teremos.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A campanha do Flamengo está superior a dos últimos anos?

Estamos bem, graças a São Judas Tadeu. Na ponta de cima da tabela, dentro do bolo que briga pelo G4, que consequentemente é premiado com a disputa da Libertadores ano que vem. Logicamente, estamos melhores que nos outros anos. Né?

Vou esquecer totalmente o fator campo. Abstraio de táticas, posicionamento e jogadores. Até mesmo técnico. Vou olhar aqui somente para números, em uma análise fria e objetiva.

No post publicado "Expectativas para o Campeonato Brasileiro 2016" no dia 24/04/16, bem antes de começar o brasileiro, apresentei uma tabela bem curiosa. Nela havia a média de pontos conquistada em cada confronto nas últimas 5 vezes que os times se enfrentaram no campeonato. A partir dele, dava para estimar a pontuação esperada do Flamengo.


Agora vamos comparar o estimado x o realizado até esta 12a. rodada. Como podemos ver na tabela acima, a pontuação esperada era de 19,33 pontos. Hoje temos 20 pontos. Coincidência? 

Vamos ver então o gráfico comparativo do previsto e do realizado ao longo das rodadas.



Pela tabela montada para este campeonato, por sorte ou qualquer outro coisa que você acredite, enfrentamos inicialmente adversários com uma maior possibilidade de sucesso que o normal. Isso justifica em boa parte nossa boa posição na tabela. Por enquanto, nossos resultados batem com o desempenho que tivemos nos últimos 5 anos, que convenhamos, não foram tão primorosos.

Agora veja o que está previsto para o final deste primeiro turno e o início do segundo turno. Aí sim, a coisa começa a ficar bem mais difícil. Veja o que está previsto para acontecer nas próximas rodadas:


Agora conte quantas vitórias estão previstas temos nessas rodadas (as linhas verdes). São menos que os dedos das mãos. ATÉ O FIM DO CAMPEONATO. Pode soltar aquele palavrão.

Fortes emoções nos aguardam, amigos. Por isso, será muito, muito, muito importante nas próximas rodadas obtermos mais pontos que o previsto para ambicionarmos realmente alguma coisa no Brasileiro. Até para que a torcida continue incentivando e apoiando como vem fazendo.

Não quero jogar água no chope, longe de mim. Mas acho que é bom abrir os olhos e ver que a moleza acabou. The Winter is Coming.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Expectativas para o Campeonato Brasileiro 2016

Acabados os torneios de início de ano, é chegado o momento de começar a pensar no Campeonato Brasileiro. E com isso, começar a fazer contas. Coisa que já estamos acostumados.

Todo ano a probabilidade de pontos muda de acordo com a entrada e saída de novos times. São 8 mudanças no total, ou seja, 20% dos times é diferente do ano passado. Alguns pouco frequentaram a série A nos últimos anos, como a Ponte Preta, Santa Cruz e América MG. Então temos pouco conhecimento sobre essas equipes, saindo em desvantagem com relação a paulistas e mineiros, principalmente.

A pergunta que não quer calar é: Brigaremos para ir ao G4 ou para não cair? O que podemos esperar desse campeonato?

Apesar de não ser 100% garantido, podemos analisar nossa probabilidade de pontos de acordo com o desempenho passado contra esses mesmos times. Confira a tabela abaixo:



Os critérios usados foram: Os últimos 5 confrontos, desde que tenham ocorrido neste século. Por isso que contra alguns adversários, como o Santa Cruz, só tem um único confronto em casa, por exemplo. Mas a maior parte possui 5 jogos.

As linhas em vermelho são os confrontos em que conquistamos menos de 1 ponto em média, ou seja, alta probabilidade de derrota. Em verde estão os confrontos em que conquistamos mais do que 2 pontos, ou seja alta probabilidade de vitória.

Vendo somente essa tabela, podemos tirar algumas conclusões:

- Podemos ter um final de primeiro turno/início de segundo turno bem complicado, com jogos em que geralmente conseguimos poucos pontos.

- O início podemos oscilaremos bastante, mas teremos mais probabilidade de vitórias.

- O final é o de melhor expectativa de vitórias. Pode dar uma ideia de arrancada.

- Nos jogos contra Corinthians, Grêmio e Atlético MG fora de casa é muito provável termos uma derrota.

- Historicamente temos melhor desempenho contra Figueirense, Santa Cruz e América MG fora do que em casa. Seriam então candidatos a ter jogos com nosso mando fora do RJ.

A expectativa é de que façamos 53,8 pontos. Esse desempenho seria melhor que nos anos anteriores (50 em 2012, 45 em 2013, 52 em 2014 e 49 em 2015), mas não seria suficiente para brigar pelo G4, afinal, nos últimos 5 anos o 4º lugar fez em média 63,8 pontos.

Podemos ter um desempenho excepcional e conseguirmos ter uma colocação melhor que nos últimos anos? Sim, é possível. Temos um time tecnicamente mais forte que nos últimos quatro anos, com alguns pontos ainda de melhoria. Ao mesmo tempo, não teremos disponível o Maracanã, e tradicionalmente não temos o mesmo desempenho sem ele. Com isso, é provável que esse fator positivo da melhora da equipe seja anulado.

Não acredito que dá para sonhar com Libertadores 2017 através do Campeonato Brasileiro. Muito provavelmente, será mais um ano fazendo figuração enquanto assistimos a ascenção de nossos adversários. Nosso melhor caminho seria através de um mata-mata, como a Copa do Brasil ou Sulamericana. Mas, infelizmente, sabemos que Muricy não é o melhor técnico para isso.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Protestar pode. Invadir, não.

Hoje revivemos um espetáculo que achávamos que tinha ficado para trás: o de "torcedores organizados" invadindo o Centro de Treinamento do Flamengo.

A torcida tem todo o direito de protestar. Pode vaiar, xingar, levar faixas, ficar de costas, cantar músicas de protesto. Tudo isso faz parte do jogo. Mas isso do lado de fora do campo, do centro de treinamento. Não há nada que justifique invadir o espaço de trabalho para intimidar jogadores.

Tá todo mundo chateado com o desempenho do time. Acredito que desde nós, reles torcedores, até o presidente. Se ameaça de "torcedores organizados" valesse de alguma coisa, o Palmeiras não teria tomado de quatro de um time semi-amador logo após uma "conversa" como essa.

São raras as vezes que concordo com o Wallace. Não tenho o menor prazer de vê-lo com a braçadeira de capitão. Mas ele tem total razão quando diz "Eles não tem direito de invadir. (...) Ninguém gosta que invadam sua casa".

Torcedor não tem porque aplaudir essa atitude infeliz. Não lembro de nenhum título sendo ganho na ameaça, na porrada. Não é isso que vai fazer com o que os jogadores tenham raça em campo. O que pode mudar a postura dos jogadores é a cobrança da diretoria. Eles, que pagam salário em dia, fornecem toda estrutura e conforto possível nas viagens e que estão investindo no CT que podem e devem cobrar firmemente. Tanto os jogadores quanto o técnico.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Tema seus comandantes mais que seus inimigos

Estou terminando de assistir a série Spartacus, no Netflix. Vi esses dias o 4º episódio da 4ª temporada, e não tirei da cabeça a lição que aprendi com ele. Sim, no meio de tantos nudes e sangue espirrando para todos os lados, há o que aprender com o programa.

Vou fazer um resumo sucinto do que acontece nesse episódio específico (tem spoilers para quem ainda não assistiu).

Marcus Crassus foi designado para dar fim à rebelião liderada por Spartacus, um ex-escravo que lutava pela sua liberdade e que tinha a ambição de acabar com o Império Romano e acabar com a escravidão. Crassus tinha um jovem filho, Tibério, que foi incumbido de ir à frente do pai para o front de batalha. Mas com a ordem de não lutar até que ele chegasse.

Pois bem, Tibério, no ímpeto de mostrar seu valor, desobedeceu o pai, ordenando um ataque totalmente despreparado contra Spartacus. Os soldados não o respeitavam, por ser não mais que um menino. No meio do ataque, ao ver que iam perder para Spartacus, recuaram e fugiram, deixando Tibério aos berros e sozinho gritando para atacarem. Ele quase foi morto, se não fosse pelo seu melhor amigo.

Quando o pai chegou ao acampamento, estava irado com o que tinha acontecido: tanto pela desobediência do filho quando com o comportamento dos soldados. Resolveu então dar uma lição a todos eles. Um castigo há muito abolido em Roma, por sua crueldade: a dizimação. O castigo consistia em colocar todos os fujões alinhados, tendo que sortear uma pedra cada. Se a pedra fosse preta, sobreviveria. Se fosse branca, iria apanhar dos desertores sobreviventes até a morte. De cada dez pedras, uma era branca.

Tibério também foi punido. O pai, mesmo com pena do filho, fez com que fosse tratado igual aos demais soldados. Ele tirou uma pedra preta. A mesma sorte não teve seu amigo de infância. Ele foi obrigado a matá-lo à pauladas. Ainda: Os sobreviventes foram submetidos às mesmas condições dos escravos, ou seja, parca alimentação, nenhum conforto, nada de participar das batalhas. Até que fosse dada segunda ordem.


Triste, não é? Mas Tibério aprendeu sua lição. Viu que não era superior aos demais e que deveria seguir as ordens do pai, seu comandante. Não teria privilégios. Os soldados também aprenderam a lição. Viram que deveriam temer muito mais seu comandante que o inimigo. Crassus manteve o punho de ferro e liderou com sucesso a empreitada, dando fim à rebelião de Spartacus.

É preciso aprender com Crassus. Não no agir com violência, mas com inteligência. É preciso temer seu comandantes. É preciso que se tenha temor ao que pode acontecer com quem não seguir na linha. É preciso impor respeito pela camisa rubro-negra. Nem que para isso seja preciso usar de artifícios mais duros.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Nos acostumamos a ser coadjuvantes

O Flamengo é um grande clube vencedor e temido pelos adversários, cuja a camisa se impõe e faz com que ganhemos na raça. Esta frase é realmente verdadeira?

É doloroso dizer que ela já não reflete a realidade há muito tempo. Nos últimos 20 anos (para arredondar), nos apequenamos. Acostumamos-nos a ser azarões, a zebra, aquele que tem que superar tudo para conseguir a vitória. E na maior parte das vezes, fracassamos e acabamos por fazer um papelão na maior parte das competições que disputamos. Tivemos um grande time vencedor, um dia. Porém, nas últimas duas décadas, vivemos de lampejos, conquistando títulos no qual não éramos favoritos, mas que caíram no colo. Não estou dizendo que não foram merecidos, lógico que foram. Mas foram totalmente inesperados.

Há quanto tempo não entramos em uma competição nacional sendo apontados como o grande favorito ao título? Há quanto tempo não somos o adversário mais temido do Brasil, aquele que todos querem bater. Há quanto tempo somos meros coadjuvantes?

Quero que vejam esta tabela. Ela lista os times que mais conquistaram títulos internacionais e nacionais nas últimas duas décadas, ordenado de forma decrescente por 1) Mundial, 2) Libertadores, 3) Série A, 4) Copa do Brasil, 5) Sulamericana (antigo Mercosul). Dentre todos os 12 grandes, somos o penúltimo. O PENÚLTIMO. Perdendo apenas para o Botafogo, que já não dá nem mais para considerar grande.


Ah, mas nunca caímos. E DAÍ??? Sério, e daí? Não caímos mas também não ganhamos! Praticamente não sentimos a emoção, o gosto de gritar "É campeão". Vivemos da eterna esperança de ver o Flamengo ser campeão de tudo. Uma geração inteira está aguardando esse momento como os judeus aguardaram por sua terra prometida. Eles esperaram 40 anos. Nós estamos quase lá. Lembra do último título mundial, que Zico foi buscar? Nem eu.

É hora de por os pés no chão e pensar em tudo o que foi feito de errado durante todos esses anos. Porque os outros chegaram lá e nós não? O que eles fizeram que nós não fizemos?

É preciso planejar e executar. Não no achômetro, não no amadorismo, mas contando com a ajuda de alguém competente e experiente no futebol. Não é admissível que todos os setores do Flamengo sejam (muito bem) geridos por gente respeitada e que domina a sua área e o futebol não seja. Futebol é a nossa vida. Sem ele o Flamengo não é nada. Nada.

Já passou da hora da ficha cair. SRN.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

[Raio X] Ederson

Ederson chegou, ao fechar da janela. Não é o 10 dos sonhos, muito longe disso. Mas vem para tentar ajudar o time. Se conseguir. O histórico de lesões é muito grande (principalmente no tendão e no músculo abdutor), ficando fora de 45% das partidas do seu time nos últimos 3 anos por este motivo.

Porém, na última temporada, ao contrário do que é dito e replicado sem uma pesquisa sequer, o maior motivo de ficar ausente dos jogos é por opção técnica, não pelas lesões. Foram nada menos do que 17 partidas no banco, sem ser considerado como opção para o jogo. Nenhuma partida como titular. Apenas 4 entrando do banco, com uma delas durando um tempo de partida e as outras entrando praticamente nos acréscimos. Em média, nesses 4 jogos que ele entrou, passou 17 minutos em campo.

Vejamos a tabela com todos os números das últimas 3 temporadas:


Analisando a única partida em que passou um tempo em campo, dá para ter um pouco de noção de como se posiciona em campo e como participa do jogo.

Veja os passes distribuídos durante a partida. Nada de toque de lado, ele sempre procura jogar a bola à frente ou fazer inversão de jogo. Ele ocupa a faixa do meio do campo, com poucos avanços para a área adversária.


Ele chega comparado a Carlos Eduardo. Mas Cadu não teve lesões graves no período que jogou no Flamengo. Seu problema era técnico mesmo. Se Ederson conseguir passar um bom tempo sem se machucar, pode ser que com uma boa sequência e recupere seu futebol dos tempos do Lyon. Apesar de brigar com todos os números, é isso o que a torcida do Mengão espera.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Fincando os pés do urubu no chão


Ganhamos uma em casa! Maravilha! Incrível como tudo fica lindo, maravilhoso, em suaves tons de azul. Há uma paz reinante por todos os lados. E ao mesmo tempo, começam os "rumo ao título","deixou chegar, f*" e mais outras tantas frases que saem de nossas bocas e dedos na empolgação de momento. Afinal, crescemos sabendo que para o Flamengo, nada é impossível. E parece que depois de 2009, todo ano é santo.

Bem, vou pedir licença para ser a chata da turma. Vou puxar o pé do urubu para o chão, porque ainda está bem longe de ele poder planar em céu aberto.

Vamos fazer umas continhas. Temos hoje 38% de aproveitamento, com 16 pontos em 14 jogos. Faltam 24 jogos para o final do campeonato. Vamos imaginar que tenhamos uma arrancada fantástica, atingindo 65 pontos, que é uma pontuação razoável para entrar no seleto grupo do G4. Então, faltariam "apenas" 51 pontos a ganhar. Isso significa um aproveitamento de 70,83%, ou seja, 2.1 pontos por partida, chegando a 57% ao fim do campeonato.

É impossível? Não existe nada impossível, graças a Zico. Mas é realmente muito, muito difícil. Ainda mais quando vemos nas estatísticas que a média de aproveitamento do Flamengo desde 2003 é de 46,63%. Luxemburgo, no ano passado, teve 56,41% de aproveitamento. Em 2009, aquele ano espetacular, terminamos com 59% de aproveitamento.

Outra coisa importante é que teremos desfalques sempre nos períodos da Data FIFA, reservadas para amistosos de seleções. Serão no mínimo, no mínimo 3 jogos sem o Guerrero. Isso eu contando que ele pode jogar num dia, voltar correndo e jogar logo em seguida pelo Flamengo.

Podemos ir para a Libertadores através do Campeonato Brasileiro? Podemos. Mas é o caminho mais difícil, a esta altura. Acredito que há chance de terminar entre os 8 primeiros do campeonato, coisa que não acontece desde 2011.

A Copa do Brasil sempre está aí como um atalho, podendo ser usada para este fim, além de aumentar nosso acervo na sala de troféus. Para mim, este deve ser o foco, novamente. E continuará assim, enquanto não formos capazes de nos planejar e ter um time pronto em março e não em julho, com um terço do campeonato em andamento.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Canteros realmente só joga para trás?

Canteros chegou ao Flamengo ano passado com a expectativa de ser um homem para dar qualidade no passe no meio de campo rubro-negro. Depois de uma boa temporada no ano passado, esse ano o volante vem sendo duramente criticado pela torcida, que diz que ele erra muitos passes e só dá passe para trás. Mas será que é mesmo? Vamos analisar os números e ver se realmente eles espelham essa impressão.

Segundo o site Squawka, que analisa o desempenho de jogadores usando a Opta como base de dados, o aproveitamento de passes de Canteros na temporada passada foi de 81%. Nesta está em 85%.

Vamos detalhar esses passes. Em 2014, esses são os números:

Em 2015, são estes:

Nota-se que os passes que ele erra mais, proporcionalmente, são os de bola longa. Quase todos, na verdade. Nota-se como ele diminuiu a quantidade de cabeceios de um ano para o outro (linha vermelha). A proporção de acertos e erros é bem parecida de um ano para outro, vendo por este gráfico, sendo levemente menor a quantidade de erros este ano.

Comparemos então como foi a evolução de passes (linha azul) e percentual de acertos (linha vermelha) jogo a jogo nas duas temporadas.

Em 2014, vemos uma participação um pouco mais regular, com alguns picos de quantidade de passe, flutuando entre 30 e 60 passes por partida, com a maior parte concentrada entre 75% e 85% de acertos.


Neste ano a quantidade de passes diminuiu. Vemos que ele tem menos participação no jogo, com uma média entre 30 e 50 passes por partida. Em compensação, houve várias partidas em que ele superou os 85% de acertos de passe. As curvas parecem ser proporcionais, mostrando que as melhores médias de acertos foram quando teve maior quantidade de passes executados.


Mas e os passes, são mesmo na maior parte para trás? Porque não adianta ter 85% de acertos se a maioria desses passes forem improdutivos. Vamos saciar sua curisidade:

Em 2014, 30,3% dos passes foram para trás e 69,7% para frente ou para o lado.

Neste ano, 35,6% dos passes foram para trás, um aumento de 5,3%. Talvez isso explique o porque de ter aumentado o percentual de acertos, já que é mais difícil errar um passe para trás do que para frente.


Ainda quer mais dados? Pois vamos ver como foram os passes do Canteros nos últimos 3 jogos do Campeonato Brasileiro, contra Figueirense, Internacional e Corinthians.

Contra o Figueirense foram 69 passes. Dentre os 3 analisados, foi o que ele teve maior participação, obtendo 81% de acertos. Este é o retrato dos passes errados:


E este é o dos passes acertados. Na maior parte do tempo, vemos que ele está mais centralizado, ajudando na armação das jogadas.


Veja o mapa de calor nessa partida:


Contra o Internacional, foi o jogo que ele teve menos participação dentre estes. Foram apenas 41 passes, com apenas 78% de acertos, muito mais erros que no jogo passado, proporcionalmente. Vemos que ele errou várias bolas perto no campo defensivo.


Já os acertos foram concentrados mais nos lados do campo, com passes curtos. A maneira de jogar foi completamente diferente do jogo contra o Figueirense, provocada pela entrada de Guerrero no time.


A seguir, o mapa de calor, mostrando que ele jogou mais pelos lados do campo:

No jogo contra o Corinthians, Canteros participou com 59 passes, tendo 85% de acerto. Foi o jogo em que teve maior aproveitamento nos passes. Nota-se que os passes errados concentraram-se no lado direito do campo, em tentativas de lançamento.


Já os passes corretos ocorreram mais no meio do campo, caindo para o lado direito, como no jogo contra o Figueirense, como vemos no mapa de calor. Nota-se claramente que grande parte dos passes é para o lado, tendo dois lançamentos que não se tornaram gol.



Sim, vemos que realmente Canteros faz muitos passes para trás e para os lados, e que isso aumentou do ano passado para cá. Mas que também erra mais passes quando está pelos lados do campo do que centralizado, provavelmente porque arrisca mais. Estando centralizado, ele faz um papel de armador, voltando a bola, tocando de lado e fazendo de vez em quando um lançamento, errando menos.

terça-feira, 14 de julho de 2015

O desempenho do Flamengo nos últimos 3 anos no campeonato brasileiro

É sabido que desde que começaram os pontos corridos, o Flamengo não é conhecido por fazer campanhas primorosas. Salvo uma ou outra exceção, dificilmente ficamos no top 5 da tabela. Acostumamos a ver o Mengão fazer ou campanhas medíocres, ficando no meio da tabela, ou desesperadoras, quando ficamos contando os números jogo a jogo.

Porém, nos últimos 3 anos, conseguimos ter campanhas piores do que a média. E esse ano os números são realmente muito ruins. Claro, ainda há muito campeonato pela frente. E há times piores e vasco versa. Mas o sinal de alerta vermelho pode e deve ser ligado, desde já, com mais de 1/3 do brasileirão já jogado.

No acumulado de todos os jogos de pontos corridos, desde 2003 até quarta passada, fizemos 489 jogos, somando 684 pontos. Ou seja, um aproveitamento de 46,63%. Destes 489 jogos, tivemos 180 vitórias, 148 empates (somos recordistas nesse quesito) e 161 derrotas. Marcamos 637 gols e levamos 624.

 

Então vamos ver como é uma campanha padrão do Flamengo. Ao final de 38 jogos, estatisticamente teremos:
- 53,5 pontos
- 14 vitórias
- 11,5 empates
- 12,5 derrotas
- 49,5 gols a favor
- 48,5 gols contra 

Avaliando somente os últimos 3 anos, da administração Eduardo Bandeira de Melo, tivemos desempenho abaixo dessa média em todos os 3 anos. Parte justificável pela nossa política de pagamento de dívidas, que nos deixou sem muita capacidade de investimento, parte por investimentos errados em jogadores que não corresponderam em campo, parte por falta de planejamento de médio prazo no futebol, fazendo com que tivesse muitas trocas de gestores, VPs e técnicos.

 

Em 2013, tivemos a questão da escalação do André Santos, virada de mesa do Fluminese e toda a história que todos nós estamos carecas de saber. No final das contas, a pontuação oficial obtida foi de 45 pontos, 7,15% a menos do que a nossa média. Marcamos 43 gols, -13,3% do que costumamos e sofremos 46, menos que os 48,5 que costumamos levar. Se não tivesse tido esse fato, provavelmente estaríamos muito próximo de nossas campanhas usuais.

 

Em 2014 começamos tão mal quanto este ano. Mas houve a chegada do Luxemburgo e houve uma grande arrancada, que fez com que se achasse que ele deveria se manter como técnico este ano. Apesar de toda essa festa, marcamos 52 pontos, 1,5 a menos que a média. Tivemos 14 vitórias (igual a média), 10 empates (1,5 menos que a média) e 14 derrotas (mais 1,5 do que o costume). Marcamos menos gols (3,5 a menos) e sofremos também menos (1,5 a menos). Ou seja, vendo esses números, foi uma campanha um pouco abaixo da média.

 

Neste ano de 2015, estamos mal em absolutamente todos os quesitos. Temos somente 13 pontos, quando o normal seria termos 18. Tivemos 4 vitórias, quando o esperado seria 4,7. Temos apenas 1 empate, quando costumamos ter 3,9. E temos inimagináveis 8 derrotas, quando o normal seriam ter aproximadamente 4. Os gols contra aumentaram, evidenciando nosso problema no sistema defensivo. Levamos 2,5 gols a mais, somando 19 sofridas bolas na nossa meta. E marcamos 12 gols, 4,9 a menos do que o normal. Esse problema provavelmente será resolvido com a chegada do Guerrero, que jogou apenas uma partida e marcou um gol.

Nosso aproveitamento atual é de 33,33%, quando o normal seria ter 46,63%. Para ter uma ideia, para atingirmos a nossa média precisamos ter um aproveitamento de agora em diante de 52%, algo só conseguido com uma "arrancada" como no ano passado. Arrancada essa que iria consagrar o treinador, que seria visto como a solução de todos os problemas, mas na verdade, gerará um novo problema no ano que vem. E a história pode se repetir, mais uma vez.

Espero duas coisas: 1) Que realmente consigamos ter tal reação. Porque se mantiver nesse ritmo, somaremos menos de 40 pontos ao final do Brasileirão. 2) Que para o ano que vem, comecemos já com um novo técnico, com ideias novas e com gana de vencer, e que as contratações sejam feitas ANTES de iniciar o campeonato, mostrando planejamento, que é o que esperamos de um clube de futebol profissional.